COE: entenda o que é o Certificado de Operações Estruturadas

Guilherme Andrade
           

Você já pensou em ter acesso a ativos financeiros do exterior, com a possibilidade de ter o capital investido garantido? Pode parecer mentira, mas hoje isso é possível graças ao COE.

Entenda como isso é possível e saiba ainda:

  • Principais características do COE;
  • Como o investimento em COE é remunerado;
  • Quais são os riscos de investir em COE;
  • Quais as modalidades existentes e;
  • Quais as taxas envolvidas.

O que é COE?

O Certificado de Operações Estruturadas (COE) é um tipo de investimento que funciona como uma estrutura para um conjunto de aplicações.

São papeis emitidos por bancos, que realizam aplicações em outros produtos financeiros com os recursos captados dos investidores do COE. Os bancos emissores podem investir tanto em ativos de renda fixa, quanto de renda variável, além de investimentos em câmbio, moedas, commodities, derivativos ou até mesmo em ativos do exterior, como ações de empresas estrangeiras.

Os produtos financeiros nos quais os bancos emissores do título aplicam contribuem para obter rendimentos que são usados para remunerar os investidores do papel do banco, bem como quem distribui o papel . Por esse aspecto, um ativo do tipo COE é parecido com um CDB (Certificado de Depósitos Bancários).

Assim, o investidor pode ter acesso a produtos financeiros que têm o potencial de gerar maior retorno e com um risco relativamente moderado, devido à diversificação dos ativos que compõem a estrutura do COE e das modalidades de COE existentes.

Investimentos em COE são encontrados em bancos, corretoras e distribuidoras de valores mobiliários.

Pelas características citadas, podemos dizer que flexibilidade é uma palavra que representa bem um COE. Além da composição da estrutura, cada instituição emissora pode definir uma regra de remuneração e diferentes prazos de vencimento.

Remuneração

O investimento em COE pode parecer complicado devido à composição da estrutura do papel (ativos de renda fixa, variável, derivativos, etc.) e também devido à forma de remuneração, que depende de algum indicador.

Basicamente, o emissor do papel projeta cenários para o desempenho futuro de alguns indicadores e a partir desses cenários, define regras de remuneração. Os indexadores mais comuns são:

  • Selic: taxa de juros da economia;
  • Inflação (IPCA): índice da variação de preços;
  • Ibovespa: índice da bolsa de valores de São Paulo;
  • Índice de bolsas estrangeiras;
  • Câmbio;
  • Moedas.

A operação estruturada

Como um exemplo de operação estruturada, imagine o seguinte cenário:

  • O banco recebe sua aplicação no COE com vencimento para daqui a um ano;
  • Da aplicação, faz a seguinte divisão aproximada:
    • 92% são direcionados para uma aplicação de renda fixa pré-fixada, que renda aproximadamente 8% ao ano. Assim, ao final de 1 ano, o patrimônio pode corresponder a 100%. Ou seja, apenas com a aplicação de renda fixa, ao final de um ano, o banco já recupera seu capital investido;
    • 1% é utilizado para estruturar operações no mercado de derivativos;
    • 7% é a remuneração do emissor (banco) e distribuidor (geralmente corretora) e para cobrir os custos das operações.

Pela estrutura básica acima, a ideia do COE é bem interessante para o emissor e distribuidor, que juntos podem obter cerca de 7% do valor captado já na emissão do título.

O mercado de derivativos, composto por ativos cujos preços derivam de outros ativos (como de ações), naturalmente apresenta uma volatilidade (oscilação de preços) elevada. Desse modo, o potencial de retorno da operação estruturada pode ser maior. Assim, os ganhos da operação podem ser interessantes para remunerar o investidor também.

Obtenção de retorno

Para remunerar o investimento, imagine a seguinte situação: o Banco X utiliza o Ibovespa como indexador de seu COE, do tipo Valor Nominal Protegido (mais explicações à frente). Na emissão, define a regra de remuneração:

  • Caso ocorra queda do Ibovespa, o invesstidor recebe o valor aplicado na compra do título;
  • Caso ocorra alta do índice, a remuneração do investidor acompanha a alta;
  • Caso o índice se valorize mais do que 15%, a remuneração será fixada em 15%.

Por isso, é importante dedicar atenção aos cenários projetados e avaliar suas expectativas, pois o retorno sobre seu investimento está fortemente atrelado aos cenários considerados pelo emissor do título.

Todas as informações sobre um determinado COE são encontradas no DIE, sigla para Documento de Informações Essenciais, tais como:

  • Instituição emissora;
  • Preço do título, que já reflete os custos envolvidos com as operações estruturadas;
  • Datas de emissão e vencimento;
  • Modalidade: se é do tipo Valor Nominal Protegido ou Valor Nominal em Risco;
  • Indexador;
  • Simulação de cenários;
  • Informações complementares, como os riscos envolvidos na operação.

Pontos de atenção

Investimentos em COE possuem algumas restrições que podem fazer com que você não tenha o controle de toda a situação. Caso esteja iniciando com investimentos, vale a pena se atentar a alguns pontos, para que não invista sem consciência das ações.

Limitação de lucros

Uma informação muito importante que deve ser levada em consideração para investimentos em COE é o fato de que os lucros podem ser limitados. Isso pode acontecer para que as instituições (bancos e corretoras) não prejudiquem seus lucros com a operação, uma vez que a instituição emissora do COE realiza outras aplicações financeiras com o valor captado dos compradores de seus papéis.

Liquidez

Ainda, é preciso se atentar às condições de liquidez. Geralmente, esses títulos só podem ser resgatados ao fim do prazo de vencimento, que normalmente tem um mínimo de 6 meses. Caso decida vender um papel antes do vencimento, o preço é o valor de mercado.

Valor mínimo

Existe também um valor mínimo inicial para compra desse tipo de papel, que pode começar com valores a partir de R$ 1.500,00, dependendo da instituição.

Há duas formas de recebimento de rendimentos de um COE. Uma é através de cupons de rendimentos, ou seja, periodicamente, uma parte dos rendimentos é paga aos investidores. Na segunda forma, os rendimentos são pagos apenas ao fim do prazo do título.

Riscos

É importante avaliar quais os possíveis cenários para o título, para entender os potenciais de ganho e de perda do investimento. Nesse sentido, deve-se levar em consideração as estimativas de alta ou de queda dos indicadores, bem como suas influências nas instituições envolvidas.

Desse modo, alguns dos riscos que fazem parte do investimento em COE são:

  • Risco de crédito: é a probabilidade de o banco emissor do título falir e não pagar sua dívida aos investidores;
  • Risco de mercado: são os movimentos do mercado que influenciam o índice ao qual a remuneração do COE está atrelada ou os ativos aos quais o papel está atrelado;
  • Risco de liquidez: é a probabilidade de que você não possa resgatar seu investimento antes do prazo de vencimento e sem penalidade, caso precise.

Para lidar com os riscos, recomendamos que você:

  • Analise a solidez e credibilidade da instituição emissora dos títulos, para entender quais riscos de crédito podem impactar seu investimento;
  • Analise as tendências de alta ou de queda dos índices atrelados à remuneração de seu investimento, ou dos correspondentes ativos;
  • Invista em COE com clareza de que não precisará do valor investido antes do prazo de vencimento acordado.

Um aspecto importante a considerar sobre o COE é que investimentos nesse título não têm garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e não possuem outras formas de garantia de crédito.

Tipos de COE

Existem duas modalidades desse papel, com importantes características:

  • Valor nominal protegido: nessa modalidade, caso ocorra um cenário contrário ao projetado, o investidor pode recuperar o capital investido caso permaneça com o título até a data de vencimento. Nesse caso, é importante lembrar que o poder de compra do capital investido não é o mesmo, já que não há correção pelo índice de inflação;
  • Valor nominal em risco: é uma opção mais arriscada, pois caso um cenário não desejado aconteça, pode ocorrer a perda do capital. Nessa situação, a perda máxima para o investidor se limita ao valor investido. Assim, o investidor não se endivida em caso de resultados não esperados.

Devido a essas características, investir em COE precisa de uma análise prévia mínima, incluindo o seu perfil de investidor(a) e seus objetivos, para saber se vale a pena comprar esse ativo.

Custos

As aplicações em COE envolvem diferentes agentes (como bancos e corretoras) e isso pode gerar alguns custos.

IOF

Para investimentos em COE, existe a incidência do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre os rendimentos, caso aconteça um resgate com menos de 30 dias após a aplicação, seguindo a tabela regressiva:

Dias % Dias % Dias %
1 96 11 63 21 30
2 93 12 60 22 26
3 90 13 56 23 23
4 86 14 53 24 20
5 83 15 50 25 16
6 80 16 46 26 13
7 76 17 43 27 10
8 73 18 40 28 6
9 70 19 36 29 3
10 66 20 33 30 0

Imposto de Renda

Da mesma forma do regime regressivo, há incidência de IR sobre os rendimentos obtidos, de acordo com a tabela abaixo.

Prazo IR (%)
Até 180 dias 22,5%
De 181 até 360 dias 20,0%
De 361 até 720 dias 17,5%
Acima de 720 dias 15,0%

Taxas

Como parte dos custos envolvidos, as taxas dependem de cada instituição. Geralmente, quando se investe por meio de bancos, as taxas podem ser menores ou nem existir, enquanto que por uma corretora, por exemplo, podem existir:

  • taxa de custódia: percentual cobrado pela instituição pela guarda do dinheiro investido.
  • comissões: proporções sobre os rendimentos, cobradas pela gestão do investimento.

Concluindo

Para resumir, listamos alguns dos benefícios do COE, como:

  • possibilidades de retorno de ativos de renda variável, com características de segurança da renda fixa;
  • acesso a uma maior diversificação de ativos;
  • acesso a ativos sofisticados e exclusivos, como fundos e ações internacionais, por um preço menor do que o convencional para investimentos no ativo em si e sem ter que enviar dinheiro para fora do país;
  • minimização do risco de moeda.

Por outro lado, algumas características podem representar algumas desvantagens:

  • por possuírem prazo de vencimento, a liquidez é menor;
  • Valor do investimento inicial pode dificultar o acesso ao ativo;
  • a complexidade dos ativos que compõem a estrutura podem fazer com que investidores iniciantes não entendam com clareza as regras de remuneração;
  • possibilidade de limitação de lucros: importante frisar que a maioria dos títulos tem uma “limitação de alta”. Assim, caso você acredite num cenário de alta e investe num COE, você pode não receber a mesma alta do indexador do título.

E aí? O que achou do COE? Esse tipo de investimento está alinhado com seus objetivos? Está dentro de seu horizonte de planejamento? Você realmente entende as operações e os ativos nos quais seu dinheiro é investido? Interaja conosco e tire suas dúvidas.

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Espero que esse artigo tenha tirado suas dúvidas sobre o que é COE e como ele funciona. Se tiver sobrado alguma dúvida, comente aqui embaixo que eu terei o maior prazer em responder.

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