O que são os juros reais e como eles afetam a decisão de investir?

Por Vitor Tito

Muitas vezes ficamos confusos com o conceito de juros por utilizá-lo em diversos contextos diferentes. O “juro” diz respeito ao rendimento de um dinheiro emprestado.

Quando fazemos um empréstimo no banco ou entramos no cheque especial, pagamos juros, e também o fazemos quando financiamos um imóvel ou um carro. Por outro lado, podemos também ser emprestadores. Quando realizamos um investimento, estamos emprestando dinheiro para um banco ou para o governo em troca do recebimento de juros.

Estas instituições emitem títulos e ofertam no mercado para se financiar. Bancos precisam de dinheiro para realizar empréstimos, e os juros de um empréstimo que fazemos com um banco são sempre maiores do que aqueles que conseguimos quando investimos num banco.

Governos emitem títulos públicos pois precisam realizar obras e pagar seus servidores, e os impostos nem sempre são suficientes. O Brasil sempre foi um dos países com juros mais altos do mundo. Mas afinal, de quais juros estamos falando? E como isso afeta a minha decisão de poupar, investir ou consumir?

Recentemente vimos notícias de que o governo federal diminuiu a taxa básica de juros da economia. A Selic é a taxa básica de juros da economia. A Selic é a base para diversos indicadores, como o CDI, e está em queda livre. Em 2017 caiu para 13% ao ano, e em 2018 tem uma tendência a chegar próxima à 6% ao ano. Isso significa que o pagamento de juros pelos investimentos que realizamos está sendo menor, dado que as remunerações dos investimentos em renda fixa, na maioria das vezes, estão atrelados a esta taxa. Mas isso significa que investir está se tornando menos vantajoso? Não necessariamente!

Juros e Inflação: a taxa real de juros

Aumentar e diminuir a taxa de juros da economia é uma forma do governo controlar a inflação e frear a economia. Essa é a política monetária. Sabemos muito bem que nossa inflação tem um memorável histórico de ser altíssima. Dessa forma, essa tendência é contrabalanceada com taxas de juros igualmente elevadas. Num país com alta instabilidade – como era o caso antes do Plano Real, na década de 1990, e agora após as crises econômica de 2008 e política dos últimos –, os investidores demandam um “prêmio de risco” maior para realizarem investimentos.

Se a inflação está subindo muito significa que o consumo está acelerado – queremos comprar antes que os preços subam mais –. Então o aumento da taxa de juros faz com que se torne mais vantajoso e rentável investir seu dinheiro ao invés de gastá-lo, o que diminui a demanda por bens e serviços, tendo um impacto direto na inflação, que tende a diminuir.

A inflação diminui o poder de compra do consumidor, por isso para quem investe o que realmente importa é obter ganhos que superem a inflação. Os principais investimentos que compõem as carteiras dos brasileiros são os de renda fixa pós-fixada, incluindo o Tesouro Direto, poupança, CDB, LCI, LCA e fundos de previdência. Se um investimento obedece a uma taxa básica de juros de 10%, mas a inflação no mesmo período foi de 10%, o aumento do índice de preços desvalorizou os ganhos obtidos pelos investimentos de maneira equivalente, fazendo com que não tenha havido ganhos reais por parte do indivíduo.

Estamos diante do conceito mais importante para quem investe: a taxa de juros real, quando são calculados os ganhos acima da inflação. Utilizando esta metodologia é que é possível entender quando alguns investimentos se tornam mais ou menos vantajosos, observando a rentabilidade real de uma aplicação.

Como a queda da taxa de juros no Brasil afeta o mercado de investimentos?

Não se deve simplesmente pensar que investir se tornou mais ou menos atrativo devido às notícias de que a taxa nominal de juros subiu ou caiu. Isso porque esta informação não incorpora a inflação no mesmo período. Por exemplo, há muito tempo vem sendo discutidas alternativas mais vantajosas do que a caderneta de poupança, não porque ela não seja rentável, mas porque por anos ela não consegue superar a inflação de maneira consistente, gerando rentabilidade real negativa e perda de poder de compra para o investidor.

Se a inflação está com uma previsão em torno de 4,5% em 2017, investimentos que anualmente rendem acima deste valor são os que devem ser o norte do investidor. O gráfico abaixo demonstra a evolução dos juros reais nos últimos 21 anos, após a estabilização da economia que marcou a queda das taxas Selic e de inflação.

Os dados do IPCA (relativos à inflação), foram consultados no site do IBGE, e os dados referentes a taxa Selic no site do Banco Central.

¹O cálculo dos juros reais obedece a seguinte fórmula: Taxa juros real= ((1+ taxa nominal Selic)/(1+taxa inflação))-1 
²As previsões para 2017 foram retiradas do  boletim Focus do Banco Central de 17/02/2017.

No caso brasileiro, a queda da taxa nominal de juros – aquela que aparece nos jornais – está sendo acompanhada também por uma queda na inflação. Desde que se criou uma maior estabilidade monetária no país através das metas de inflação, as intervenções do Banco Central ao alterar as taxas de juros tem obtido respostas relativamente positivas, fazendo com que essas duas variáveis tenham caminhado juntas, não alterando de maneira acentuada os ganhos de juros reais para o investidor.

Por estes fatos, a queda da taxa de juros, que deve ser uma realidade nos próximos anos no país – dada a recessão política e econômica, queda do consumo e produto industrial –, não tem impacto considerável no mercado de investimentos. O que pode mudar são as carteiras dos investidores, dado que uma queda dos juros em carteiras pós-fixadas pode tornar mais vantajosas a compra de ativos de renda variável, visto que o diferencial de ganho pode ser atraente.

Em termos de ganhos reais, contrariamente à essa ideia de que a queda dos juros é negativa, em 2016 os ganhos reais de juros foram bastante consideráveis em relação aos anos anteriores, como pode ser observado no gráfico abaixo. Espera-se que, para 2017, com políticas anticíclicas de controle da inflação, esta taxa se mantenha, ainda que a expectativa seja de uma taxa de juros de 10,75% ao ano, segundo o boletim Focus do Banco Central.

E como este cenário afeta as instituições financeiras, como gestoras de investimento?

Um dos principais gargalos para quem investe, é aliar segurança e rentabilidade, montando carteiras saudáveis que acompanhem o mercado. No caso de bancos, o papel do gerente é muito importante para isso, e para corretoras, o cliente toma as decisões sozinho, ou com a figura do agente autônomo. Para as Gestoras de Investimento, como a Monetus, que tem uma equipe especializada de profissionais que realizam todo o processo de investimento para o cliente, desde a abertura de conta, até o investimento, resgate e suporte, esta notícia não é tão impactante.

A estratégia é sempre encontrar os melhores ativos de acordo com as condições do mercado financeiro, buscando alinhar o seu Perfil de Investidor com o que há de melhor em termos de rentabilidade, segurança e personalização. Criar uma carteira de investimentos deve basear-se num conhecimento profundo dos objetivos e anseios do cliente – respeitando sua rotina financeira e criando um portfólio diversificado – que incorpore, além das mudanças macroeconômicas, a realidade de cada um, e é isso que a Monetus faz de melhor.

Se quiser conhecer qual o seu Perfil de Investidor e saber quais são os investimentos mais adequados para você, é só responder algumas perguntas. Assim é possível mapear a sua tolerância ao risco, e saber se você é um investidor mais analista ou arrojado, bem como identificar a sua disponibilidade de fazer investimentos com maior prazo de resgate, visando projetos pessoais com jornada mais longa, e assim ganhar ainda mais.

Categoria:

Simplicidade, rentabilidade e segurança.

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