Efeitos da política de preço mínimo do frete no Brasil

Daniel Calonge

Tentando entender como o preço mínimo do frete pode afetar sua vida e o Brasil? Leia este artigo até o final e fique por dentro!

Para tentar conter a grande paralisação dos caminhoneiros, o governo criou três medidas: diminuição de R$0,46 por litro de diesel, congelamento dos preços por 60 dias e criação de uma política de frete mínimo.

Vamos destacar, neste artigo, os efeitos dessa última medida.

O que podemos esperar desta política de preços mínimos?

Com essa nova política, o preço mínimo do frete irá aumentar. Caso contrário, se os preços mínimos forem menores que os valores praticados atualmente, essa política não surtirá efeito, pois os caminhoneiros não trabalharão com valores abaixo dos valores de mercado.

Mas e quando os preços do frete são superiores aos praticados atualmente?

Neste caso, teremos diferentes efeitos.

Segundo empresas de soja, principal commoditie agrícola exportada pelo Brasil, o novo custo de frete os impedirá de tralhalhar, e com isso essas empresas paralisarão as novas negociações.

Se o preço mínimo do frete for maior do que o atualmente praticado, teremos diferentes efeitos a depender do prazo de análise.

  • No curto prazo os caminhoneiros irão ganhar mais dinheiro, e a demanda por fretes deve permanecer nos patamares atuais. Com esse aumento,haverá também aumento no preço dos produtos, ou seja, inflação. Conclui-se isso porque será necessário repassar o aumento de custo no frete. Adivinha só quem vai pagar a conta? O consumidor.
  • No médio prazo haverá aumento de informalidade no setor, pois alguns caminhoneiros podem topar trabalhar com preços abaixo da tabela para conseguir mais fretes, ainda que isso signifique trabalhar na ilegalidade.
  • No longo prazo as empresas que têm atividades que demandam muito transporte tenderão a internalizar os fretes, comprando caminhões e contratando motoristas. Além de isso ser ruim para os caminhoneiros e transportadoras, que perderão fretes para as empresas, isso também é ruim para a sociedade como um todo.

Custo do frete para transportadoras e as empresas

Quando empresas se especializam em seus negócios, observa-se um aumento de produtividade e uma diminuição de custo do bem ou serviço. Por exemplo, os custos de transporte para uma transportadora serão sempre menores que os custo de transporte para uma empresa de alimentos que também possui caminhões. Isso acontece porque a transportadora consegue fazer fretes no trajeto de volta, no objetivo de fazer com que o caminhão ande, na maior parte do tempo, cheio, maximizando a eficiência.

Em uma empresa de alimentos, que tem como prioridade a produção de víveres, os caminhões sairão das fábricas sempre cheios, mas, na maioria das vezes, voltarão vazios, e isso significa um custo maior. Sendo assim, para onde vai este custo pela menor eficiência? Naturalmente, para o preço dos produtos, que aumentará. Com isso, quem paga a conta, de novo, será o consumidor, ou melhor, todos nós.

Mas é apenas o preço dos transportes que fará com que os produtos sejam mais caros? Não, o gasto das empresas com caminhões significa menos dinheiro para investimento na atividade principal. Desse modo, elas ganham menos em produtividade e diminuição de custos, e isso faz com que os produtos sejam, de novo, mais caros.

Efeitos da greve dos caminhoneiros

Não só os caminhoneiros serão prejudicados, mas sim a sociedade como um todo. À medida que empresas começarem a usar dinheiro para investir em caminhões, haverá menos recursos para investimento em sua atividade principal. Isso faz com que a produção não cresça conforme seu potencial, o que leva a produtos sempre mais caros, devido à menor produção.

Que as soluções implementadas pelo governo são ruins para o país, todos nós sabemos, mas de onde esse problema veio?

De 2009 a 2016 houve uma expansão acelerada da frota de caminhões no brasil, que foi turbinada por juros subsidiados. Estes chegaram a apenas 2% ao ano por meio do programa PSI, um programa do BNDES de sustentação de investimentos. Nesse período, a frota de caminhões cresceu em média de 5% ao ano, enquanto o PIB, produto interno bruto, cresceu, na média desse período, apenas 1,1% ao ano.

Por isso, a frota de caminhões cresceu de 1,3 milhão 2008, para 1,8 milhão em 2016, segundo a Sindipeças. Esse grande aumento da frota, muito maior que o PIB, fez com que a oferta de fretes ficasse muito acima da demanda. Isso acarretou queda nos preços, e muitos motoristas começaram a ter dificuldade para pagar as prestações e manutenção dos veículos.

Assim, podemos perceber que a diminuição da renda no setor de transporte está muito mais ligada ao aumento da oferta do que ao aumento no preço do diesel! Vale ressaltar que esse aumento de oferta foi criado artificialmente por uma política de juros subsidiados pelo BNDES para compra de caminhões.

Quando uma distorção assim acontece, é normal haver um período de preços mais baixos, fazendo com que haja um ajuste entre a quantidade ofertada e a demanda, para que assim os preços voltem ao equilíbrio.

A política de preço mínimo do frete é eficiente?

Conforme falamos, a política de preço mínimo do frete, além de não resolver a situação, tende a complicá-la ainda mais. A criação artificial de altos preços de frete institui mais investimentos em compras de caminhões por empresas que precisam transportar suas mercadorias. Isso faz com que a oferta de frete, que deveria diminuir, acabe aumentando.

Todos nós brasileiros queremos menos impostos, não só na gasolina e no diesel, mas em tudo. Não queremos produtos mais caros e, tampouco, a proteção de uma categoria específica. Como vimos, essas proteções, embora no curto prazo entreguem um bom resultado para o setor que está sob proteção, fazem com que os custos sejam distribuídos para o resto da economia, ou seja, todos nós.

Ademais, no longo prazo a situação é ainda pior, pois até aqueles que inicialmente foram beneficiados acabarão perdendo, uma vez que o mercado se regula. Entretanto, essa regulação se dá em patamares de eficiência muito menor que os observados anteriormente.

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